domingo, 30 de outubro de 2011

Novo tempo

     Aquele novo tempo chegou. O tempo das mudanças chegou. Joguei fora as roupas velhas, os livros mofados, os brinquedos eu dei. Resumindo, joguei fora meus sentimentos. Sim, as roupas já não serviam para cobrir a alma impura.
   
     Os livros não norteavam e nem continham coisas novas. Os brinquedos eu dei.

     Neste novo tempo, aqueles que não me valorizam reclamam no púlpito da esquina. Imploram por misericórdia. Aquele amor sentido antes, motivos de choro, de bebedeiras e de lamentações. Agora é motivo de piada.   
     Como é bom passar pelos estados necessários para o amadurecimento humano. Hoje, sinto que tudo aquilo vivido fez parte de um maravilhoso passado. Quando vem à minha lembrança o sofrimento imposto pela vida, dou gargalhas.

     Uma vez, Mário Lago disse: "fiz um acordo com o tempo, ela não me persegue e eu não fujo dele. Assim nos encontraremos um dia". O plágio aconteceu, fiz o mesmo acordo. Agora vivo em paz com a ausência de sentimentos.

A solidão é o castigo dos espertos


 Já não sei quantas vezes fugi, me escondi, titubeei, desisti de falar o que sentia. Fugi como o gato foge do banho, como o Jerry foge do Tom, enfim, como eu fujo de você. Ás vezes eu só queria ser notado, nunca fui valorizado como desejava ser. Demonstrar sentimentos foi o meu erro, a minha vontade era de fugir pra um monte Tibetano, um lugar vazio, frio e não habitado.
Já afoguei as mágoas num litro de cerveja, ops, vários litros de cerveja. Já pensei em cometer um crime para vingar o meu ódio. O melhor é deixar pra lá.

- Ai que saudade da aurora da minha vida, da minha infância querida...

Os tempos mudaram, eu mudei, do sentimento descrito ficou a saudade. Talvez não era pra ser assim ou não, nunca saberei. Já me arrependi demais, está na hora de algo novo, experimente, o máximo que pode acontecer é se apaixonar de novo!